Como te compreendo George… Não queres partilhar? Isso seria um belo prazer da vida!
Como te compreendo George… Não queres partilhar? Isso seria um belo prazer da vida!
Gostava de ter mãos arranjadas.
Gostava de ter outras mãos.
Outras mãos que mostrasse quem eu não sou. Para ser outra que não eu.
Gostava de saber como manter unhas pintadas, cutículas arranjadas.
Gostava que as minhas mãos mostrassem uma imagem de mim, que não esta.
Uma imagem de alguém que cuida de si própria.
Gostava de me conseguir controlar sempre.
Gostava de não ser assim na vida… gostava de manter a minha palavra, gostava de levar adiante as minhas ideias.
Sou uma aprendiz… Uma aprendiz da vida.
Gostava de me conter, de saber o que fazer, de estar segura de mim.
Gostava que as minhas mãos mostrassem a segurança que não tenho.
Gostava que quem olhasse para as minhas mãos pensasse que eu sou outra que não eu.
Mas… aí… serei eu um sonho? Serei eu algo que não eu? Um sonho, apenas?
Gostava de ter dedos direitos, que não mostrassem as minhas quedas, as minhas fraquezas…
Gostava que quem não me conhece não soubesse a minha história, a minha vida.
Gostava que não vissem quando sofro, que não percebessem quando estou triste.
Gostava que as minhas mãos não mostrassem a minha vida.
Gostava que as minhas mãos não fossem as minhas mãos.