Archive for May, 2009

23
May
09

Cheiro

Hoje o cheiro de terra molhada inunda-me o quarto. Ainda não choveu, mas ameaça e o cheiro mostra que está para breve… para muito breve…

Este cheiro faz-me pensar no que ontem disse de ti… Lembrei-me de ti porque se falava no estereotipo a que pertences e disse que essa ideia era errada, com base no meu conhecimento.
Disse que daquilo que conhecia não era assim e que por muito que se pensasse que tudo era correcto e bom, nada disso era real. Pessoas são pessoas. Cada uma tem a sua maneira de ser e de pensar.

Não quis estragar aquele estereotipo criando outro, mas penso que o fiz. Penso que anulei aquelas ideias e pus lá outras, mas o que queria era apenas dizer que cada pessoa tem a sua maneira de agir, não importanto a sua profissão, não importando os seus gostos musicais, não importando a cor da sua roupa.

Lembrei-me de como esperava algo de ti por tu pertenceres àquele estereotipo, mas como te encaixei logo noutro, como se de uma gaveta se tratasse, tirei-te de uma e enfiei-te noutra, à pressa, numa gaveta já cheia e que me custa abrir cada vez que preciso.

Estás lá, naquea gaveta. Abro-a poucas vezes, mas sei que lá estás, sei que estás lá mistrado com outros do mesmo género. Naquela gaveta onde raramente se mexe, porque não preciso de nada que lá esteja. Mas ontem precisei de falar de ti, só para que se visse que nem tudo era assim, nem todos eram assim.

Ri-me quando disse o tempo que passou. Quando lhes contei como tudo se passou. Ri-me quando eles olharam para mim com aquele ar de que uma pessoa de quem eles gosta está a sofrer, disse-lhes que já não doía. Disse-lhes que estava bem. Há muito tempo.

Já não sinto a tua falta, mas quando te vejo fico com aquela sensação de te querer contar como vai a minha vida, de te contar o que tenho feito, de te perguntar o que se passa contigo, porque já não pareces o mesmo. Quando te vejo, vejo uma lembrança daquilo que foste, vejo apenas resquícios daquilo que eras quando te queria bem. Vejo-te cansado, vejo-te distante e apenas estou contigo uns míseros minutos que a conversa de circunstância permite.

Ontem falei de ti. Abri a gaveta, mas fechei-a logo, porque não precisava nada dela…

12
May
09

cenas da vida de uma prestadora de serviços…

Emprego 1 – Escola
Pai – A minha filha é uma santa. A minha filha não faz nada. A minha filha é uma vítima.
Alguém – A sua filha arranjou duas colegas e foi bater numa outra colega, só porque sim.
Pai – A minha filha, está enganada, a minha filha é que levou.
As compinchas – Ela é que nos disse para irmos bater na D. Ela é que disse que deixava de ser nossa amiga e nos dava pastilhas.
Pai – Vocês é que são más e a convenceram…
Alguém – Talvez seja melhor pensar se a sua filha é assim tão vítima…

E quem disse que as crianças são todas inocentes, quem foi?

Emprego 2 A terminar…
Formando – Então e se puser estas fichas, fico com o módulo validado?
Eu – Não, para validar o módulo precisa de fazer o trabalho combinado no início do módulo.
Formando – Ah, pois, mas isso dá trabalho…
Eu – Pois dá, a mim se não o fizer não dá.
Formando – Isso quer dizer que me valida o módulo???
Eu – Só com o trabalho.
Formando – Ok, vou fazer.

Passado 2 meses… Ainda não tenho o trabalho e hoje pediram-me para validar com base nas fichas do outro módulo…

Emprego 3 – 3.1 Campo
Calmaria total! As formandas só perguntam se quero que me façam as unhas… E já cheira bem e tudo lá!

3.2 – já terminou… aguarda-se pagamento.

Emprego 4 – Formandos em greve.
Formandos revoltam-se por ainda não terem recebido a bolsa de formação e entram em greve. Não abandonam a sala e optam por não responder ao que os formadores dizem. Estão de corpo presente na sala, mas não querem participar nas sessões de formação.
Não percebem que ao não participar não recebem o dia e que estando lá não aproveitam o dia lá fora. Não percebi esta história da greve, mas 5a-feira devo ter novidades. Amanhã os formadores dos grevistas juntam-se ao redor de mesa japonesa para partilhar histórias e ver como lhes fazer ver que greve não vai resultar.

Emprego 5 – Longe…
Terminado o primeiro módulo há mil e quinhentos formulários e folhas para preencher… Há 5 papéis que servem para a mesma coisa e dizem todos o mesmo. Na era das novas tecnologias parece que o papel governa… Disto tudo há que pensar no seguinte – o Office para mac devia mesmo suportar macros!

Emprego 6 – festas, festas, festas…
Ok, festas em dia de trabalho não dá!

10
May
09

perigo

Ontem senti realmente que tenho uma doença.
Já há algum tempo que a tenho. Que sei que tenho uma doença crónica diagnosticada e que por isso não pago taxas.
Sei-o.
Sempre soube como era a doença e dos seus perigos. Mas talvez por me ter sido diagnosticada já em adulta eu nunca tomei consciência dos seus perigos reais.
É crónica mas não é nada de especial. Digo eu, costumo dizer eu, mas ontem senti-a. Ontem senti-a…
Asma. Podia dizer que não é nada de especial e não tem sido. Foi-me diagnosticada há 10 anos. Mas só ontem vi a sua dimensão.
Descobri que a tinha porque tive um ataque que me levou ao hospital sem conseguir respirar. Nessa noite descobri que tinha asma e que era alérgica a alguma coisa. Depois vieram os testes, as vacinas, a medicação de prevenção e tudo o resto que quem sofre deste mal já sabe. Fui vivendo com os medicamentos sempre comigo e tenho passado anos bons. No ano passado a bomba não saiu da mala e não foi usada. Pensava eu que ía ser igual…
Ontem tive um bom dia. Ontem tive um dia em que as coisas corriam bem e que me estava a divertir. Ontem foi um dia em que comecei a rir como há muito não fazia.
Comecei a rir e a reconhecer os sintomas de falta de ar…
Disse em voz miudinha que tinha de ir fazer a bomba que não conseguia respirar… Ninguém me ouviu… Fui fazer a bomba… fiz vezes a mais, mas estava como não me lembrava de estar… Melhorei. Voltei para a animação. Voltei para onde estava antes e onde queria mesmo estar.
Não consegui. Passei de estar bem para estar tonta e sem forças… Encostei-me, sentei-me e pedi ajuda discretamente. Era dia de festa, não a queria estragar e não a podia estragar. Uma das enfermeiras ali presente veio ter comigo e comigo ali ficou… Estava mal e não me devia sequer mexer. Taquicardia, disse-me ela. Por ali fiquei, melhorando, piorando um pouco, mas fiquei. Não assisti à festa da noite, não pude. Mal falava. Não conseguia. Não tinha forças.
Estive mal. Agora sei que foi preocupante, porque a senti. Senti a doença como só uma vez a tinha sentido. A aflição estava controlada. Mas o sistema nervoso estava apagado e comecei a chorar não sei porquê.
Passou despercebido e se não fosse estranharem eu não estar na festa, não saberiam que eu estava mal.
Estive mal. Senti-o.
Hoje um cansaço gigante. Como se não tivesse dormido.
Amanhã verei como acordo. Mas senti-a. Agora sei mesmo que a tenho.




Me, myself and I

Tamia Eu… Eu sou alguém que pensa, que sente, que vê, que observa… Eu sou alguém real, que gosta de muitas coisas, de muita gente. Eu sou alguém que escreve. Umas coisas, sem pretensões. Eu sou alguém que aprende. Diariamente. Tudo. Eu sou ... uma aprendiz da vida.

 

May 2009
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