Archive for the 'devaneios' Category

01
Jul

Apareceu agora… no estomâgo e aperta tanto que a dor chega ao coração.
O timing… a palavra que desde que me lembro me persegue.
Acredito que haja uma altura certa para tudo, um momento em que tudo é possível e depois já não o é, um milésimo de segundo em que tudo muda, muda para já não voltar a esse ponto, muda para sempre e sem volta atrás.
Hoje, agora estou a sentir esse momento a esvair-se, como líquido nas minhas mãos. Estou a sentir a oportunidade de te ter afastar-se para sempre. Estou a ver-te caminhares à minha frente a olhares para mim e a sorrires.
Não acenas adeus, mas sorris, como que esse sorriso dissesse que não faz mal, aconteceu e temos de viver com isso.
Mas com tanto que temos de viver. Agora que estou tão perto de ti, agora que consegui finalmente me aproximar de ti, vou-me afastar, vou desaparecer de perto de ti.
Doi-me. O nó está bem apertado. Agora chegou à minha garganta. Não consigo falar, não consigo criar sons.
Apetece-me fechar os olhos e ir para perto de ti. Saber se gostavas de me dizer alguma coisa. Saber se também sentes este nó, ou se apenas me sorris. Não sei porquê. Sorris.
O nó está cá.
Sei que serei sempre bem vinda, como me disseste. Mas nunca mais será a mesma coisa.
O afastamento vai começar… Já começou, agora há pouco…

30
Jun

Retrato de mim IV

Anything is possible.

But is it realistic?

31
May

Nuvens

Enquanto andava com os meu pensamentos olhei para cima e vi a forma das nuvens.
Vi-as como ainda nunca as tinha visto. Uma imensidão de algodão branco… enrolado como mantas a meus pés.
Enroladas umas nas outras. Sobrepostas. Espessas. Não tão espessas. Planas como um lençol na corda a secar.
Brancas.
Imaculadas.
Olhei para elas e perdi-me.
Perdi-me nos seus meandros.
Perdi-me nas ruas dos meus pensamentos porque tu apareceste.
O teu sorriso e os teus olhos fizeram com que eu quisesse estar ali contigo. Eras tu quem me ía levar às nuvens. Era contigo que eu ía conhecê-las. Era pela tua mão que eu ía ser guiada até lá.
Era num beijo eterno que íamos lá chegar e por lá ficar.
Foi ali que me perdi.
Foi ali que te achei. Eras tu que me ías mostrar mais que física. Eras tu que me guiarias pelo mundo para que as visse todas.
Foi ali que te achei, me perdi e acordei.
Acordei dos meus pensamentos e voltei a viver.
Ali. Com os pés assentes. Ali. Sozinha.

13
May

Finalmente

Falaste comigo no outro dia.
Tocaste-me, chamaste-me a atenção e falaste comigo.
Isso já eu o esperava. Sabia que o ías fazer. Tinha a certeza que assim que pudesses me ías chamar e ficaríamos perdidos no nossos olhares, presos às palavras que dizíamos um ao outro, suspensos até que fôssemos interrompidos…
Não fomos interrompidos. Não ali… fomo-lo mais tarde…
Quando me tocaste o meu corpo reagiu como há muito esperava. Senti! Finalmente.
Tocaste-me, falaste comigo num sorriso e eu olhei para a tua mão a tocar-me, olhei para ti, mas o meu corpo já sabia que eras tu… mesmo sem os meus olhos te reconhecerem, o meu coração já te tinha adivinhado, o meu estômago já tinha uns habitantes fora do normal e sei, sei, que os meus olhos já brilhavam. Tudo naquele instante de segundo antes de te ver.
Bastou estares perto de mim para voltar a sentir. Voltar a estar viva. Voltar a querer ver alguém, a querer estar com alguém.
Bastou pensar que te ía ver para que o meu corpo e o meu coração se entusiasmassem e me dissessem que ainda sou capaz de sentir.
Sinto. Vivo. Finalmente.

11
May

Retrato de mim II

decididamente….

… sofro de timings errados

09
May

Retrato de mim

Estou em standby…

eternamente esperando…

08
Apr

Chuva

Há muito tempo que não andava à chuva. Que a minha alma não se molhava com a água que caía do céu. Havia muito tempo que não me lembrava de tudo o que se começou a passar num dia de chuva…
Eu podia começar com era uma vez… sim, porque esta estória tem muito tempo! Tanto que quase mal me lembro dela. Aliás… a chuva e uma conversa de ontem fizeram com que as memórias me assolassem, embora um doce sorriso de lembranças se anunciasse nos meus lábios.
Foi num dia assim que tudo começou. Eu gosto da chuva. Eu gosto que a chuva me molhe, que me faça arrepiar. Não é por ser anormal, não é por gostar de ficar doente. É mesmo porque gosto de me sentir sozinha a apreciar a chuva, as gotas de água a tocarem a minha cara. A minha mão, o meu cabelo…

Lembro-me que não me apetecia ir de carro para casa. Já não estava muito frio e naquela tarde chuvosa e sai de rompante do café e comecei a andar para casa. Passados dois minutos estavas perto de mim com um guarda-chuva enorme como um cavalheiro a proteger a sua dama. Ri-me de ti! Disse-te que não precisava de ser resguardada da chuva e que precisava de ser molhada pela chuva. Que precisava de me sentir molhada e lavada pela água da chuva.

Olhaste-me com o teu ar de rapaz certinho que não percebia por que estaria eu a fazer uma coisa que se sabia que era errada. Foi a primeira vez que me olhaste como que baralhado. Não foi a última.

A nossa estória começou nesse dia. Sem nos apercebermos começámos a querer descobrir mais acerca um do outro. Começámos a passar mais tempo juntos e começámos a rir. A partilhar risos e sorrisos.

Nesse mesmo caminho demos as mãos e dissemos que precisávamos um do outro. Aí dissemos sim. Dissemos que enquanto durasse, duraria bem.

Foi numa noite quente de primavera que demos as mãos. A chuva já tinha passado, mas nos anos seguintes, quando te dizia que precisava de andar à chuva continuavas-me a olhar como se eu fosse fazer algo proibido, errado e eu sorria-te e dizia-te que já sabias.

É engraçado, mas ontem falei de ti. Contei o fim. Contei como nos afastámos, como já nem nos nossos abraços nos sentíamos perto, como depois de acabarmos nos aproximámos uma e outra vez, até finalmente nos perdermos… tinha de ser. Só podia ser assim.

Não tinhas tempo, dizias, eu não tinha força de vontade, eu não queria mudar, dizias. É engraçado, mas tu é que me parecias parado, quieto no teu canto. Não tinhas vontade de fazer o que podias fazer. Estavas por demais habituado à tua rotina, não a querias mudar e eu era o problema.

Pois… eu fui o problema desde o primeiro momento. Nunca me pediste para ficar contigo, nunca me pediste para ficar perto de ti. Não serias capaz de o fazer. Não faz parte de ti. Eu sei que o facto de não morar perto de ti fazia que eu não fosse com quem tu ias ficar. Eu sabia que não seria eu com quem irias ficar. Desde a primeira despedida. Não quis acreditar. Nunca quis ver essa realidade. Preferi ver a realidade aparente daquilo que se passava. Mas sempre soube.

Por isso te mandei embora nessa noite perfeita. Por isso dormi como há muito tempo não dormia. Foste zangado, insultado, ofendido, mas foste. Respeitaste-me. Foste. Saíste da minha cama, do meu quarto, da minha casa e afastaste-te da minha vida.

Já conseguimos falar. Já nos encontramos quando visito a tua cidade. Mas sei que nunca me pedirias para ficar, ainda hoje. Hoje tens outra pessoa na tua vida. Não a conheço. Vi-a na noite em que a conheceste e soube nessa noite que ela iria ocupar o meu lugar. Nunca falei com ela. Só a vi nessa noite. Não a reconheceria se ela passasse por mim. Não sei quem ela é. Sei o que faz e opiniões dela. Sei que é insegura. Mesmo sem a conhecer.

Há dias em que sinto a tua falta. Em que me fazes falta como a chuva. Há dias em que te recordo com saudade. Mas nos outros dias… Não me fazes falta. Lembro-me dos silêncios, lembro-me das tuas ausências, lembro-me de já não rirmos juntos, de já não falarmos e de nem sequer nos vermos. Lembro-me de como deixaste que alguém se aproximasse de ti e me pusesse em perigo. Lembro-me que não me deixaste confrontar, discutir… Não podia, não era? Tu é que querias estar presente, tu é que a querias por perto, tu é que gostavas que ela estivesse perto.

Foste o meu primeiro namorado sério. Foste aquele que mais amei. Foste aquele por quem mais chorei. Foste a pessoa mais importante da minha vida durante algum tempo. Para agora… para agora seres uma doce recordação em dias de chuva.

22
Mar

Gostar

Gosto que gostes de mim.
Gosto que me esperes e me queiras desse modo infantil.
Gosto de ti. Não dessa maneira que tu queres que goste. Não penso sé em ti, não te vejo em todo o lado, não espero ansiosamente por ti.
Gosto de ti como gosto do qe está a teu lado. Gosto de ti com carinho, afeição.
Acho-te piada. Rio-me de ti, por ti, contigo. Tens piada.
Não gosto de ti como gostas de mim. Fico triste. Mas espero que te passe. Espero que m eesqueças. Espero que saia do teu pensamento. Não me quero lá.
Sou como tua irmã. Só isso.
29/01/2008
19
Mar

toque para o nosso mundo

Já disse o quanto o toque mexe comigo. Não o toque de qualquer pessoa, mas o teu toque. Aquele roçar ocasional de mão no braço. Aquele suave toque com a perna. Aquele momento em que te toco no casaco para te chamar a atenção.
Espero que sejas tu a dizer-me algo, que sejas tu a chamar-me a atenção. Espero que sejas tu a reparar em mim. A ver-me e a olhar para mim como mulher.
Não quero que me olhes mais como a amiga de alguém. Não quero que me olhes mais como a tua amiga. Quero que me olhes como eu sou. Quero que me vejas. A mim e só a mim.
Quero que o mundo pare quando me olhes e quero olhar-te da mesma maneira.
Quero sentir o coração nas mãos, as borboletas na barriga, o rubor na minha cara, os olhos a brilhar e o sorriso constante.
Quero que me provoques isso mais uma vez, e outra e ainda outra!
Quero que quando me toques eu trema, eu faça parar o mundo, que os meus órgãos façam uma revolução e que tudo à volta desapareça. Para sempre.
Quero que o teu toque me transporte para um local só nosso, onde nada mais exista. Onde só estamos eu e tu. Onde aquele toque é eterno. Onde sei que estás tu… e eu. Onde sei que estaremos nós.
Não quero que quando o toque terminar sejamos puxados pela dura realidade e voltemos ao sítio onde estamos, rodeados pelas mesmas pessoas.
Não quero que te afastes de mim. Não te quero longe.
Quero-te perto. Ali mesmo a um toque de distância.
Quero que seja fácil chegar ao nosso mundo. Que seja simples tocar-te para que num instante de segundo estejamos naquele nosso mundo.
20.01.2008
08
Mar

comentários

Hoje uns comentários que ouvi fizeram que chorasse sozinha no carro.
Um inofensivo e normal. O outro ofensivo e que me fez pensar se será isto que quero fazer durante a minha vida, para chegar logo à conclusão que é isto que sempre quis fazer e que sei que sou capaz de fazer e bem!
A minha vontade de mudar está a atormentar-me de uma maneira que nunca pensei possível. Não é tanto pelo medo de mudar, pela mudança em sim, é por pensar que nãos erei capaz de a manter e que depois me vai custar, ainda mais, voltar ao que estava.
Não quero, não posso e não vou conseguir voltar ao que está. Não sei se aguento mudar para depois voltar. Quero mudar. Preciso de mudar. Tenho de mudar. Não quero voltar…

Hoje uma aluna “especial” virou-se para mim, porque não a deixei escrever (riscar) no quadro e disse-me: “tu és merda!”. Não tenho, nunca tive paciência para miúdos mal-educados! Quer sejam ou não especiais, quer saibam o que estão a dizer ou a maior parte das pessoas pense que não sabe o que estão a dizer. Sabe sim o que diz e o que faz. Faz mal aos colegas, não respeita ninguém, responde mal, bate, não aceita um não… E tudo porque não a educam! Simples. É difícil, é complicado, demora tempo, dedicação, mas já estive e já ensinei outras crianças tão especiais quanto ela e não são assim! São educados, meigos, sabem conversar, sabem estar e respeitam assim como são respeitados!

O outro comentário foi de uma pessoa com a qual trabalhei durante algum tempo, há tanto tempo atrás que me fez pensar que os anos passam e que a minha vida era muito mais divertida naquela altura.
Não o via há muito tempo, não falávamos ainda há mais tempo. A pergunta foi simples, foi directa, foi normal, foi casual… mas criou uma mossa que não me apercebi no momento, que não me doeu naquela altura, mas que ao voltar a casa abriu, criou uma racha e doeu.

Doi saber que passado 11 anos estou como estava naquela altura.
Doi saber que estou sozinha.
Doi saber que voltei ao mesmo estado.
Doi saber que preciso de uma mudança, mas que não quero mudar para voltar.
Doi saber que procuro e não encontro.
Não encontro emprego, não encontro.
Não encontro quem me acompanhe na procura da felicidade.
Não encontro com quem partilhar a felicidade.
Não consigo ter forças para procurar mais. É dias como hoje que não sei o que fazer. Não sei o que procurar. Como procurar. É dias como o de hoje que me apetece baixar os braços e não fazer nada. Resistir. Esperar. Apenas isso.
É dias como o de hoje que me fazem pensar se valerá a pena.
São dias assim que sei que passam.
Sei que amanhã já não estarei assim. Por agora… por agora vou dormir. Vou esperar que o sol me traga o sorriso. Vou esperar que a lua me leve as lágrimas…




 

July 2008
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