Archive for the 'Outros esconderijos...' Category

25
Dec
08

há dias em que também gostava…

De conseguir escrever assim!

Mãos

Eram três e já se conheciam há muito tempo, mas eram só amigos. E era sábado, sessão de cinema na casa dela. Cinema, pipoca, algumas gargalhadas. O filme acabou e continuaram conversando e bebendo cerveja. Ligaram o som, contaram piadas, fofocas, as trivialidades de sempre. Riram muito.

Horas depois, estavam cansados e levemente bêbados. Ela sentou-se entre eles no sofá e ficou totalmente à vontade.

Silêncio de elevador.

Cansada, deixou a cabeça pender sobre o ombro do da direita: Carlos.

Silêncio de elevador

Diego e Carlos se entreolharam. Um não sabia o que o outro estavam pensando, mas havia um certo clima no ar, uma espécie de cumplicidade. Era aquela comunicação que os homens têm uns com os outros e que as mulheres invejam.

Ela se aconchegou ainda mais no ombro dele. A boca entreaberta, carnuda, deixava entrever os dentes. E ela respirava num ritmo tão…

Diego e Carlos sorriram. Diego fez um sinal imperceptível, um leve abano de cabeça, que Carlos interpretou como assentimento. Este acariciou o queixo dela e colocou as mãos entre os cabelos. Aquela respiração era tão…

Silêncio de elevador e ela achava estranho aquele carinho leve, delicado, mas insistente, perspicaz. Embora quisesse protestar, deixou-se levar pela mistura perigosa entre o álcool e a excitação. Sentia uma certa dormência, um torpor entre a embriaguês e a completa sobriedade. Perfeito para fazer as piores loucuras e eximir-se depois.

E ela sentiu a mão de Diego na sua coxa esquerda. Mão de homem, forte, descuidada. Mão de proletário que virtuoso caminhava com uma leveza imperceptível pela pele descoberta. E embora quisesse protestar, deixou-se levar pelo silêncio de elevador, deixando que ele percebesse os pêlos eriçados pelo arrepio.

Deixou-se levar também pela mão de Carlos, que conduzia sua boca para a dele. E esta mesma mão, delicada, bem-cuidada, burguesa, andava agora pelas suas coxas com força, como exército em marcha, tomando de assalto os campos.

Quatro mãos e duas coxas, seis lábios, uma boca que agora se dividia entre duas outras, sentindo salivas, sendo a fronteira entre dois mundos diversos. Ela passeava entre uma e outra e o silêncio de elevador é substituído agora pelos barulhos quase inaudíveis de respirações, estalos de beijos, sons de línguas que se encontram.

As mãos passeando nas coxas, caminhando unidas, poderosas, em direcção ao encontro das coxas. E no encontro destas duas frentes de batalha, unidas num armistício, dividiram entre si o campo, agora descoberto, onde deveria se travar a batalha. E eram mãos que se sucediam, solidárias, dividindo os espaços, às vezes penetrando juntas no mesmo regaço, às vezes se complementando. E a dona das coxas, agonizava em outro tipo de torpor, mais imediato, intenso.

Entregue, a dona das coxas colocou suas coxas entre outras coxas e pensando em várias coisas entregou-se ao duplo amor sobre o sofá da sala e agonizou tantas e tantas vezes, que dormiu semi-morta entre o proletário e burguês no chão, em frente à tevê. E nesse triplo sono, três mãos humanas descansavam juntas, tão juntas, que não se sabia qual das três era dona de cada dedo.

Foi uma batalha do tipo que Marx jamais sonharia.

Grande PoetaMatemático!

24
Aug
08

Da Maria Lua para o meu esconderijo…

Os homens têm a mania de se perguntar o que as mulheres querem deles, como se elas fossem, assim, bichos histéricos e muito do needy, cheias de esquisitisses e extravagâncias tresloucadas, complicadas de agradar e incrompreensíveis na sua tendência de reduzirem tudo ao emocional e hormónico. Eu tenho pena deles, homens que não sabem o que as mulheres querem, pois colocando-me na sua posição também eu entraria em esquizofrenia total se tivesse de me descodificar 24/7. Eu própria não sei o que quero dum homem e os meus critérios tendem a mudar à medida que vou subindo na age box. Lembro-me que, por exemplo, para muita risota dos graúdos, aos 13 anos, queria um “moreno-louro”; aos 18 anos, queria um que me fizesse descobrir outros mundos e voada para o Canadá acabei mesmo por perder-me nos braços luxuriosos de um vietnamita; aos 23 anos, queria um que me desse paz e sossego, em outras palavras, não queria homem nenhum porque tinha encontrado nos livros os melhores amantes de sempre; e, agora, aos 28 anos, quero uma lenda arturiana. Sim, uma lenda arturiana. Ora vejam. No outro dia, li no Sunday Times que para se livrar à morte, o jovem Artur teve um ano para descobrir o que as mulheres querem. Na sua busca incessante encontrou uma sábia donzela que lhe disse – What women want is exactly the same as men: sovereignty over their lives. E eu não poderia estar mais de acordo. Acho que neste momento, posso dizer com (uma certa) certeza, que é isso o que primeiramente quero dum homem. Um homem que me ame pelo que eu sou e me deixe ser rainha da minha gloriosa existência. Mistério resolvido. Ta da!

É isto mesmo! Não é mistério nenhum e é basicamente o que todos queremos.
Claro que eu aos 13 anos não queria um moreno-loiro, mas aos 18 também queria ir conhecer o mundo. Aos 23 não queria nenhum. Mas agora também quero a tal lenda arturiana!

13
Dec
07

Palavras sábias

Esta coisa de gostar de alguém

Esta coisa de gostar de alguém não é para todos e, por vezes – em mais casos do que se possa imaginar – existem pessoas que pura e simplesmente não conseguem gostar de ninguém. Esperem lá, não é que não queiram – querem! – mas quando gostam – e podem gostar muito – há sempre qualquer coisa que os impede. Ou porque a estrada está cortada para obras de pavimentação. Ou porque sofremos de diabetes e não podemos abusar dos açucares. Ou porque sim e não falamos mais nisto. Há muita gente que não pode comer crustáceos, verdade? E porquê? Não faço ideia, mas o médico diz que não podemos porque nascemos assim e nós, resignados, ao aproximar-se o empregado de mesa com meio quilo de gambas que faz favor, vamos dizendo: “Nem pensar, leve isso daqui que me irrita a pele”.
Ora, por vezes, o simples facto de gostarmos de alguém pode provocar-nos uma alergia semelhante. E nós, sabendo-o, mandamos para trás quando estávamos mortinhos por ir em frente. Não vamos.. E muitas das vezes, sabendo deste nosso problema, escolhemos para nós aquilo que sabemos que, invariavelmente, iremos recusar. Daí existirem aquelas pessoas que insistem em afirmar que só se apaixonam pelas pessoas erradas. Mentira. Pensar dessa forma é que é errado, porque o certo é perceber que se nós escolhemos aquela pessoa foi porque já sabíamos que não íamos a lado nenhum e que – aqui entre nós – é até um alívio não dar em nada porque ia ser uma chatice e estava-se mesmo a ver que ia dar nisto. E deu. Do mesmo modo que no final de 10 anos de relacionamento, ou cinco, ou três, há o hábito generalizado de dizermos que aquela pessoa com quem nós nos casámos já não é a mesma pessoa, quando por mais que nos custe, é igualzinha. O que mudou – e o professor Júlio Machado Vaz que se cuide – foram as expectativas que nós criamos em relação a ela. Impressionados?

Pois bem, se me permitem, vou arregaçar as mangas. O que é díficil – dizem – é saber quando gostam de nós. E, quando afirmam isto, bebo logo dois dry martinis para a tosse. Saber quando gostam de nós? Mas com mil raios, isso é o mais fácil porque quando se gosta de alguém não há desculpas nem “ ai que amanhã não dá porque tenho muito trabalho”, nem “ ai que hoje era bom mas tenho outra coisa combinada” nem “ ai que não vi a tua chamada não atendida”.

Quando se gosta de alguém – mas a sério, que é disto que falamos – não há nada mais importante do que essa outra pessoa. E sendo assim, não há sms que não se receba porque possivelmente não vimos, porque se calhar estava a passar num sítio sem rede, porque a minha amiga não me deu o recado, porque não percebi que querias estar comigo, porque recebi as flores mas pensava não serem para mim, porque não estava em casa quando tocaste.

Quando se gosta de alguém temos sempre rede, nunca falha a bateria, nunca nada nos impede de nos vermos e nem de nos encontrarmos no meio de uma multidão de gente. Quando se gosta de alguém não respondemos a uma mensagem só no final do dia, não temos acidentes de carro, nem nunca os nossos pais se sentiram mal a ponto de nos impossibilitarem o nosso encontro. Quando se gosta de alguém, ouvimos sempre o telefone, a campaínha da porta, lemos sempre a mensagem que nos deixaram no vidro embaciado do carro desse Inverno rigoroso. Quando se gosta de alguém – e estou a escrever para os que gostam – vamos para o local do acidente com a carta amigável, vamos ter com ela ao corredor do hospital ver como estão os pais, chamamos os bombeiros para abrirem a porta, mas nada, nada nos impede de estar juntos, porque nada nem ninguém é mais importante, do que nós.

Fernando Alvim
Espero bem que não

11
Dec
07

Um amor atrevido

Ok… Eu não a vou linkar outra vez, mas ela é mesmo boa! Escreve mesmo bem e tem as palavras exactas para o momento certo. Ou para uns momentos atrás!




Me, myself and I

Tamia Eu… Eu sou alguém que pensa, que sente, que vê, que observa… Eu sou alguém real, que gosta de muitas coisas, de muita gente. Eu sou alguém que escreve. Umas coisas, sem pretensões. Eu sou alguém que aprende. Diariamente. Tudo. Eu sou ... uma aprendiz da vida.

 

November 2009
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